Partindo da divisão das ciências entre as que se dedicam ao zein (o ser) e as voltadas ao dever-ser (zollen) o autor encaixa as religiões reveladas como códigos éticos e jurídicos. Assim, a gênese do Direito deriva das religiões reveladas, tendo por legisladores deuses, à imagem e semelhança dos homens. As teódicas semitas, portanto, terminam com julgamentos finais, à maneira dos tribunais humanos: os homens serão declarados culpados ou inocentes e viverão eternamente no paraíso ou no inferno. (antropomorfismo cultural). Os autores trazidos à colação servem à demonstração dessa tese. Chardin diz do processo evolutivo desde a formação da terra até o surgimento do homem. Morgan diz da evolução social do homem, da selvageria, passando pela barbárie até a civilização, num período aproximado de 120 mil anos, cabendo à civilização os últimos doze mil anos. É um trajeto diverso do creacionismo a visualizar o homem e a mulher criados adultos, há cerca de 5.700 anos, segundo o mito de Adão e Eva. Cohn, prescruta as religiões do neolítico em busca das idéias apocalípticas e do juízo final (início do mundo maniqueista que divide a humanidade em almas salvas ou castigadas "ad eternitaten"). O aprofundamento dessa linha de pesquisa é feita pelas teorias críticas de Finkelstein/Silberman que negam a existência do cativeiro no Egito, do êxodo e da campanha de Josué (2/3 da Tora hebraica) e por Jack Miles que analisa as personalidades de Javé e Jesus, juntamente com karen Armstrong, Regina Navarro e Ernest Renan. Na continuidade surgem os estudos de Paul Johnson, Bloom e Lot incumbidos da história do judaísmo e do cristianismo, após as heresias e cismas que a empolgaram, dentre elas as chamadas crenças protestantes ou evangélicas. Na parte final do livro o autor-organizador junto com Luc Ferry, Freud, Comte-Sponville e Herbert Marcuse descarta o destino jurídico e catastrófico da humanidade como ideado pela ideologia repressiva das religiões derivadas da Torá e propugna uma civilização menos repressiva, mais libertária, banhada pela solidariedade e a compaixão, acima do salvacionismo fácil e acomodatício.