Na atual cultural mundial, há muito acostumada a controlar as coisas, os meios de comunicação em massa priorizam numa perspectiva macrossocial as questões e os problemas de primeira relevância, fazendo com que as pessoas direcionem toda a sua atenção para esta agenda ou ordem do dia.
Quando esta agenda ou ordem do dia tem por finalidade as provas contidas num processo jurisdicional, muitas vezes sigilosas, os meios de comunicação em massa, além de informar, também realizam um julgamento paralelo, desencadeando na opinião pública um complexo conjunto de sentimentos, por vezes distantes de uma decisão justa, como, por exemplo, perplexidade, ódio, vingança, sensação de impunidade etc.
O constante debate realizado pelos meios de comunicação em massa sobre o conteúdo probatório de um fato ou ato jurídico, por vezes sigiloso, constante de um processo jurisdicional, põe em risco a lisura e a justiça da decisão judicial.
Esta obra tem por objetivo analisar justamente as consequências desta rede de relações de comunicação - mídia - opinião pública - decisão judicial, demonstrando o perigo para uma sociedade democrática e para a concretização de um justo e équo processo jurisdicional dos efeitos produzidos pelo denominado julgamento paralelo realizado pelos mass media.
O autor pretende justamente chamar à responsabilidade social a conduta dos meios de comunicação em massa, principalmente quando divulgam para a sociedade, antes do momento apropriado, o conteúdo probatório obtido em razão de quebra de sigilo, argumentando sobre o caráter de imprestabilidade dessas provas para o processo jurisdicional.